We’ve seen value immediately. The world is talking about big data and how you use it“, Sam Walsh, CEO of Rio Tinto

A Internet das Coisas (ou IoT = “Internet of Things”) “tá danada” e “cutucando e motivando” vários fornecedores e segmentos de negócios. Recentemente vimos o que a IoT está fazendo no conglomerado industrial da Bosch alemã.

A “tal” da Internet das Coisas está interessando a muitos fornecedores, prestadores de serviços e grandes “players” de tecnologia. Em termos de plataforma para a IoT, a Intel foi a primeira a anunciar a sua no final de 2014.

Em maio passado tivemos grandes novidades em termos de plataformas de IoT no mundo, a saber: [a] a Samsung anunciou a sua plataforma Artik que permite desenvolvimento mais rápido e mais simples de aplicações de IoT para consumidores e segmentos industrial e corporativo (ver Samsung launches Artik IoT Platform & Chips, M2M Magazine, 15.may.2015); [b] a gigante chinesa Huawei anunciou a sua arquitetura Agile IoT Network 3.0 para Internet das Coisas em 21.mai passado; [c] o Google “Sempre Ele” entrou na disputa da batalha pelas plataformas de IoT anunciando em 28.mai passado o seu SO Brillo. A aparentemente o Google quer “pegar um naco” do grande negócio de “Casa Inteligente” em IoT (ver Google Unveils Brillo, Its Answer for Smartifying Your Home, Wired, 28.may.2015).

Mais uma aqui do Goggle nessa linha: Google wants you to buy Nest CCTV, turn your home into a Brillo pad, The Register, 12.jun.2015; [d] a Intel aproveitou o momento para anunciar uma parceria ampla com a Fujitsu para alavancar a sua plataforma IoT (ver Intel, Fujitsu Partner on IoT Platform, eWeek, 15.may.2015). Além da disputa nas plataformas de IoT ainda destacamos os seguintes movimentos recentes: [1] a aliança estratégica da Microsoft & Qualcomm (ver A Win-Win Situation In IoT: Microsoft – Qualcomm Alliance, WT Vox, 07.apr.2015) e [2] a parceria da Samsung com a Telefónica (ver Samsung, Telefónica partner on Internet of Things IoT, M2M Magazine, 02.jun.2015).

Mundialmente, o negócio de IoT continua a evoluir a passos largos. Recentemente, o analista de indústria Gartner sinalizou a importância que a IoT terá em negócios inovadores no segmento corporativo (ver Gartner Says Enterprise Architecture Can Deliver Business Value from the IoT, Gartner, 16.apr.2015). Se você é daqueles do “contra” que ainda não está convencido que a Internet das Coisas é realmente, realmente uma “big thing”, então considere as últimas projeções do analista de indústria IDC. Esse analista sinalizou recentemente que o gasto em IoT crescerá de 655,8 BUS$ em 2014 para 1,7 TUS$ em 2020. Esse gasto inclui dispositivos (módulos e sensores), conectividade, plataformas e software. Em 2020, os dispositivos “abocanharão” um total de 31,8% do gasto em IoT (ver Explosive Internet of Things Spending to Reach $1.7 Trillion in 2020, According to IDC, IDC, 02.jun.2015). Adicionalmente, o IDC também sinalizou que o mercado de IoT cresce 19% apenas em 2015 liderado pela oportunidade de “Digital Signage” (ver New IDC Forecast Asserts Worldwide Internet of Things Market to Grow 19% in 2015, Led by Digital Signage, IDC, 19.may.2015)

Como vimos acima, a IoT está interessando a muitos segmentos de indústria e diferentes “players”. Um setor que tem se motivado recentemente pela automação que a IoT pode lhe trazer é a Mineração. A próxima geração da Mineração será “conectada”. A automação tem que chegar aos níveis de planejamento e programação das atividades de perfuração nas minas e depois é a hora da monitoração dessas atividades. Várias minas já estão utilizando “tablets” na sua interface entre o subsolo e a sala de operação do negócio.

Redes de fibras ópticas já começam a ser instaladas para implementação de redes de Wi-Fi nos subsolos das minas. Atualmente as empresas mineradoras estão muito interessadas no que acontecem nos subsolos dos seus negócios. O tempo está mudando: um negócio antiquado em termos de tecnologia como a mineração já começa a sentir o lado benfeitor da IoT.

Nesse negócio de Mineração destacam-se umas empresas globais “pequeninhas” (sic!) que mostramos a seguir as cinco primeiras em ordem decrescente de receite em 2013, a saber: [1] Glenncore Xtrata (200 BUS$), [2] a australiana BHP Billiton (67,83 BUS$) que é proprietária da Samarco Mineração no Brasil, [3] a britânica-australiana Rio Tinto (54,6 BUS$), [4] a brasileira Vale (48,9 BUS$), e [5] a britânica Anglo American (33,06 BUS$) que tem o Projeto Minas-Rio no Brasil (ver mais detalhes aqui desse mercado: Mining giants – the top ten richest mining companies, Mining Technolgy, 27.mar.2014).

A Internet das Coisas agora “bateu na porta” da mineração também. Há dez anos atrás eram “pedaços desconectados” de equipamentos e se um computador caísse no chão ninguém se importava. Agora as minas subterrâneas estão cheias de fibras ópticas e diversos equipamentos e dispositivos que “falam” uns com os outros.

O interesse das grandes mineradoras em conectar as suas operações vem em função das suas ambições expansionistas e necessidade de crescimento no ambiente de “commodities”. Esse interesse tem levado essas gigantes a focar em “reinar” nos custos e melhorar os índices de produtividade. O que as mineradoras deveriam fazer em termos de corte de custos, demissão de pessoal e corte nos orçamentos de exploração já foi feito. Agora essas gigantes estão tendo que trabalhar mais para encontrar ganhos adicionais. Segundo opiniões de especialistas do mercado de mineração “as mineradoras precisam fazer mais com menos”.

Em algumas minas, para se conseguir mais com menos através da tecnologia significa utilizar veículos não tripulados (aqueles caminhões gigantes de 6 MUS$ FOB cada um!) para operar eficientemente e a baixo custo. As mineradoras Rio Tinto e BHP Billiton já estão usando caminhões autônomos em suas minas de minério de ferro australianas (ver Video: Rio Tinto Iron Ore – Autonomous Haulage System (Mine of the Future), 20.aug.2014) e a Rio Tinto já está investindo em trens sem condutor. Os famosos “drones”  – pequenos veículos aéreos não tripulados – já estão começando a ser implantados para monitorar plantas de processamento e os estoques das pilhas de minério (Google References on “Rio Tinto Drone Mining”).

A contribuição mais substancial para a produtividade da mina pode muito bem ser a capacidade de lidar com a tecnologia de “big data” em torno da operação. A capacidade de analisar os dados, processá-los e reagir o mais rapidamente através da interpretação deles faz a diferença. A utilização dos dados na mineração ainda é de uso limitado. As mineradoras devem “peneirá-los” para torná-los relevantes. Algumas delas ainda não começaram esse trabalho.

A mineradora Rio Tinto considera a tecnologia de “big data” um pilar importante para o seu conceito de “Mina do Futuro” que está implantando nas suas operações (ver Delivering Long-Term Shareholder Value, Rio Tinto, 09.oct.2014 e Video: Rio Tinto Unveils Mine of the Future, Hints at Big Data Optimization, Mining Global, 30.sep.2014). Recentemente, a Rio Tinto inaugurou um centro de execelência de análise de dados de “big data” para trazer melhoria de produtividade para seus processos (ver Rio Tinto launches big data Analytics Excellence Centre to drive productivity improvements, Rio Tinto, 03.mar.2015). Ver mais aqui: Rio Tinto digs for value in data, ZDNet News, 02.mar.2015 e Big Data Analytics : the Hottest Disruptive Technology in Mining Right Now?, Vantaz, 27.aug.2014).

Parece que já existe uma consenso que a tecnologia de “big data” pode trazer garndes ganhos para as empresas mineradoras (Google References on “Big Data Creates Giant Savings for Miners”). Veja aqui uma “pitada” sobre o mercado brasileiro de “Big Data”: Brazil’s Big Data and Analytics Market will Top $800M, iCrunch Data News, 28.may.2015.

A mineração tem um problema sério de leitura e processamento de dados (ou “readback of data”) em turnos diferentes. O processo antigo (e ainda atual em algumas minas) de análise de composição da rocha demandava muito tempo. O ideal é que o dado que é coletado das minas seja processado em uma pequena fração de tempo em um mesmo turno.

Para isso a tecnologia é muito importante e a infraestrutura de telecomunicações é apenas um facilitador. Hoje as brocas de perfuração utilizadas pela Rio Tinto têm uma série de sensores que têm um valor gigantesco pois permitem que a mineradora entenda sobre o minério que está “minerando” com muito mais rapidez e precisão.

As amostras de perfuração têm sido sempre o caminho que as mineradoras têm utilizado para conhecer a rocha que eles estão trabalhando, mas agora a tecnologia lhes permitem compreender o que têm nas mãos (em termo de amostra) de uma forma muito mais sofisticada graças a tecnologia e a automação dos processos.

A mineradora BHP Billinton diz que as técnicas de ensaio de “fundo do poço” que estão sendo  desenvolvidas estão a acelerando o processo de compreensão da geologia de uma mina. No passado a mineradora tinha que perfurar o núcleo, enviá-lo e os resultados de análise levava meses para retornar. Agora o processo é feito de forma rápida permitindo otimizar o o planejamento de mina e aumentar a eficiência da operação.

A BHP Billinton também está testando sensores que medem o “grau de pureza” do minério nos baldes das máquinas gigantes que “explodem” o minério. Os sensores medem esse “grau de pureza” do minério e, ajudam a decidir rapidamente se é vantajoso ou não processar o minério ao invés dos demorados testes atuais da composição dos minérios. Isso tem o potencial de trazer a mineradora para mais perto da informação sobre o seu processo de mineração proporcionando um grande aumento de produtividade e redução de custos.

Segundo profissionais de mineração, os melhores dados sobre qual material vai emergir da mina podem fazer também o marketing das mineradoras ser mais efetivo – uma parte frequentemente subapreciada nessas empresas. A mineradora agora poderia otimizar a “saída” da escavação para o porto e além dele.

A alavancagem da tecnologia e de “big data” estão sendo suportadas por uma nova geração de executivos que reconhecem o valor delas. É o caso de Sam Walsh(Rio Tinto, CEO) que é oriundo da indústria automobilística e gosta de sempre fazer um paralelo entre os processos de “fabricação enxuta” da indústria de carros e o interesse da Rio Tinto em introduzir a tecnologia nas suas minas. O executivo Mark Cutifani (Anglo American, CEO) acusou as mineradoras de “décadas de atraso” em seus processos comparativamente a outras indústrias pesadas e diz que agora “as mineradoras estão à beira de fazer uma mudança radical”.

Mas uma coisa é bom registrar: embora existam grandes oportunidades de tecnologia no segmento de mineração, a forma de evoluir de projetos pilotos para implantação em toda a organização não é uma tarefa simples. Alguns profissionais de mineração aconselham a “concentrar-se em atividades que podem ser feitas em comum em todas as operações. Aqui é onde as mineradoras terão um maior benefício”.

Como vimos acima o segmento de mineração é um setor “fértil” para IoT pois (1) a tecnologia de IoT está evoluindo muito; (2) o segmento está atrasado décadas em termos de tecnologia; e (3) a nova geração dos executivos das mineradoras está ansiosa para apostar em tecnologias diferenciadas nas minas (p. ex., conectividade, “wearable”, “predictive maintenance”, controle de ativos, sensores, big data entre outras) para expandir-se, aumentar produtividade e reduzir custos.

 

Fonte: http://convergenciadigital.uol.com.br – Por Eduardo Prado

Categories: Notícias

Deixe uma resposta

Related Posts

Notícias

PIB do Peru cresceu 2,50% em 2017, estimulado por mineração

A economia do Peru cresceu 2,50% em 2017, estimulada pela mineração, pelos hidrocarbonetos e pelo setor agropecuário – informou o Instituto Nacional de Estatística e Informática (Inei) nesta quinta-feira (15). ”O resultado da produção nacional em Read more…

Notícias

Demanda mundial cai 7% em 2017

Apesar do aumento de 6% no último trimestre, alcançando 1.095 toneladas, a demanda global por ouro caiu 7% no ano de 2017, com um volume de 4.071 toneladas, de acordo com o World Gold Council. Read more…

Notícias

Fortescue vê custo de produção de minério de ferro em mínima histórica

A mineradora australiana Fortescue disse que seus custos de produção de minério de ferro no último trimestre atingiram mínimas históricas e que espera uma retomada na demanda a partir de março, o que levou a Read more…